Aspectos Políticos do Aborto no Brasil
1. Considerações
iniciais
Nos últimos anos a partir da década de setenta começaram
a aparecer as discussões sobre a legalização do aborto e, mais recentemente,
vários projetos de leis foram apresentados no Congresso Nacional para legalização
da ‘interrupção da gravidez’. Projetos correlatos como legalização da esterilização,
da educação sexual obrigatória, da união civil de pessoas do mesmo sexo etc
também foram e estão sendo motivos de discussão no Congresso Nacional.
Atualmente tramitam na Câmara dos Deputados 9 projetos para
legalização do aborto nas diversas situações, desde para as crianças com má
formação fetal até o aborto a pedido em qualquer caso e um projeto de legalização
da união civil de pessoas do mesmo sexo (casamento “gay”). Mas o que motivou
essa enxurrada de projetos antivida e antifamília? Quem são seus autores? Que
interesses movem essas tomadas de iniciativas contrárias à vida? Que partidos
se destacam na apresentação e na aprovação desses projetos nas várias comissões
técnicas do Legislativo?
É o que vamos analisar em seguida.
2. Aspectos Políticos
Para compreendermos os mecanismos e estratégias
estabelecidas para a legalização do aborto, da esterilização, do casamento “gay”,
da obrigatoriedade da educação sexual nas escolas etc é necessário conhecer
um documento “Confidencial” produzido pelo Conselho de Segurança dos Estados
Unidos, liberado em 1989. Esse documento foi intitulado de “Implicações
do Crescimento da População Mundial para a Segurança e os Interesses Externos
dos EE. UU”, classificado como NSSM 200, também conhecido por “Relatório
Kissinger” por ter sido assinado pelo Sr. Henry Kissinger, quando Secretário
de Estado. Esse documento foi enviado a todas as embaixadas norte-americanas
do mundo por aquele Secretário de Estado.
2.1 – Relatório Kissinger
O NSSM 200 (National Study Memorandum – NSSM 200) argumentava
que o crescimento da população mundial, notadamente dos países em desenvolvimento,
colocava em perigo o acesso dos EUA aos minerais e, portanto, ameaçava a segurança
política e econômica americana. A solução aventada foi o controle em massa da
população, notadamente nos países que representavam maiores ameaças – países
chaves . Esses países relacionados naquele documento são 13 entre os quais
o Brasil.
Vejamos algumas citações desse relatório (o n° da página de cada citação aparece
entre parênteses)
“A localização de reservas conhecidas de minérios de alta
qualidade e principalmente de minerais favorece a crescente dependência de
importação dos países menos desenvolvidos para todas as regiões industrializadas.
Os problemas reais com o abastecimento de minerais está na dependência, não
da suficiência física básica, mas nas questões políticas de acesso, pesquisa
tempo de exploração de divisão de benefícios entre produtores, consumidores
e governos onde se localizam aquelas reservas. (37)
“As ações governamentais, os conflitos trabalhistas, as
sabotagens e os distúrbios civis põem em risco a tranquila exploração das matérias-primas
necessárias. Ainda que a pressão popular obviamente não seja o único fator envolvido,
esses tipos de transtornos são mais difíceis de acontecer sob condições de
baixo ou nenhum crescimento populacional.” (37-38)
“Deve-se dar prioridade no programa geral de assistência
às políticas seletivas de desenvolvimento nos setores que ofereçam a maior
perspectiva de motivar mais as pessoas a querer famílias menores” (17).
“A economia
dos EUA exigirá, cada vez mais, grandes quantidades de minerais do exterior,
principalmente dos países menos desenvolvidos. Esse fato dá aos EUA mais interesse
na estabilidade política, econômica e social dos países fornecedores. Sempre
que se diminui a pressão da população através da redução da taxa de natalidade
aumenta-se a perspectiva de tal estabilidade, uma política de população se
torna importante para o suprimento de recursos e para os interesses econômicos
dos Estados Unidos” (43).
“Há também
o perigo de que alguns líderes dos países menos desenvolvidos vejam as pressões
dos países desenvolvidos na questão do planejamento familiar como forma de imperialismo
econômico e racial; isso bem poderia gerar um sério protesto.” (Página 106)
“É vital que o esforço para desenvolver e fortalecer o envolvimento
de lideres dos países menos desenvolvidos não seja visto por eles como uma política
dos países industrializados para se utilizar de recursos e reduzir o poder
de seus países ou para manter reserva de recursos para os países “ricos””.
(Página 114)
“Os EUA
podem ajudar a diminuir as acusações de um movimento imperialista, por
trás de seu apoio aos programas populacionais, declarando reiteradamente que
tal apoio vem da preocupação com:
a) o direito
de cada casal determinar livremente e de maneira responsável o número e o espaçamento
de seus filhos e o direito de eles terem informações, educação e meios para
realizar isso; e
b) o desenvolvimento
social e econômico fundamental dos países pobres” (115)
“Desenvolver
um compromisso político e popular mundial na área de controle de população é
de importância vital para uma estratégia eficiente. Isso exige que líderes importantes
dos países menos desenvolvidos se envolvam com apoio e compromisso. Isso
só ocorrerá se eles virem claramente o impacto negativo do crescimento populacional
sem controle e acreditarem que é possível lidar com essa questão mediante ações
governamentais. Os EUA devem incentivar os líderes dos países menos desenvolvidos
a assumirem a liderança no avanço do planejamento familiar”. (18).
“Finalmente, o fornecimento
integrado de planejamento familiar e serviços de saúde de forma ampla ajudaria
os EUA a se defenderem da acusação ideológica de que os EUA estão mais interessados
em conter a população nos países menos desenvolvidos do que em seu futuro e
bem-estar. Embora se possa argumentar, e com eficiência, que a limitação
populacional seja um dos fatores críticos para melhorar o potencial para desenvolvimento
e as chances para o bem-estar, devemos reconhecer que os que argumentam em termos
ideológicos frisam o fato de que a contribuição dos EUA para os programas
de desenvolvimento e os programas de saúde está constantemente diminuindo, ao
passo que o financiamento de programas de controle de população tem aumentado
consideravelmente. Embora sejam apresentados muitos argumentos para explicar
essas tendências, o fato é que elas têm sido uma responsabilidade ideológica
para os EUA em seu crucial relacionamento
com as nações menos desenvolvidas” (177).
“Talvez haja a necessidade de lançar
programas obrigatórios e precisamos considerar essas possibilidades
já” (118).
“O alimento
seria considerado como instrumento de poder nacional? Seremos obrigados a escolher
a quem dar assistência? Devem os programas populacionais ser usados como
critério para tal assistência?
- Estão
os EUA prontos para aceitar o racionamento de alimentos como meio de ajudar
as pessoas que não podem ou não querem controlar seu crescimento populacional?
(119-20)
Nossas estratégias
de assistência para esses países devem considerar suas capacidades para financiar
ações necessárias de controle de população” (127).
“É claro
que a disponibilidade de serviços de contraceptivos e informações não são a
resposta completa para os problemas do crescimento populacional. Em vista da
importância de fatores sócio-econômicos que determinam o tamanho desejado de
família, estratégias de assistência completa devem cada vez mais se concentrar
em políticas seletivas que contribuirão para a diminuição populacional
e outros objetivos (108).
“- dar mínimos
níveis de educação, principalmente para as mulheres;
- ter como
prioridade educar e ensinar sistematicamente a próxima geração a desejar
famílias menos numerosas.” (111)
”Alguns
experimentos controversos, mas admiravelmente bem-sucedidos, [foram feitos]
na Índia, em que incentivos financeiros juntamente com outros dispositivos de
motivação foram usados para convencer multidões de homens a aceitar a vasectomia”
(138).
“Algo mais do que só os serviços de
planejamento familiar será necessário para motivar outros casais a querer
famílias menores e todos os casais a querer níveis de substituição essenciais
ao progresso e crescimento de seus países” (58).
“A grande
necessidade é convencer as massas da população que e para o seu beneficio individual
e nacional ter, em media, só 3 ou então dois filhos… o foco óbvio da
atenção deve ser mudar as atitudes da próxima geração” (158).
“A AID deve
incentivar e responder aos pedidos de assistência, em expandir a educação básica
e em introduzir o planejamento familiar no currículo.”(144)
“Muito pouca atenção é dada para a educação
da população ou para a educação sexual nas escolas e na maior parte
dos países nenhuma atenção e dada a essas questões nas primeiras séries, que
são o conseguem alcançar 2/3 a 3/4 das crianças. (157)
“Nota especial: Embora os
órgãos que estão participando desse estudo não tenham recomendações específicas
para propor com relação ao aborto, acredita-se que as questões seguintes são
importantes e devem ser consideradas no contexto de uma estratégia global de
população:
1.
Práticas mundiais
de aborto
Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos:
-
nenhum país já reduziu o crescimento
de sua população sem recorrer ao aborto” (182)
Quanto aos
meios e métodos de controle de população propõe o documento incentivar as práticas
de a) anticoncepcionais orais; b) dispositivos intra-uterinos; c) melhores
métodos de prever a ovulação; esterilização de homens e mulheres “tem recebido
ampla aceitação em várias regiões onde um método simples, rápido e seguro é
prontamente disponível”; d) anticoncepcionais injetáveis; e) meios leuteolíticos
e auto-progesterona, métodos não clínicos (cremes, espumas, preservativo)
(pág. 172)
Mais trechos
do NSSM 200 podem ser encontrados em: www.providafamilia.org, site “Controle de População”.
2.3 – Recursos financeiros para os programas
de população:
Para viabilizar as propostas, segundo as diretrizes do NSSM
200, os países ricos (países do Norte) investem diretamente, através de organizações
internacionais ou através de ONGs (Fundações, Institutos etc) vários milhões
de dólares para os chamados “Projetos de População”.
Esses projetos
com respectivos recursos financeiros para todos os países do Terceiro Mundo,
são publicados pelo Fundo de População da ONU (FNUAP). Bilhões de dólares são
destinados a esses programas em todo o mundo.
Para o Brasil
nos últimos cinco anos do programa foram destinados mais de 840 milhões de dólares
para os mais variados programas de controle de população desde a treinamento
de pessoal de saúde à aquisição e distribuição de contraceptivos, à esterilização
de homens e mulheres e para mudança da legislação brasileira no sentido de legalizar
as práticas contraceptivas e o aborto.
Vejamos,
particularmente, os recursos destinados à mudança da legislação objeto deste
nosso estudo.
Recursos internacionais para alteração da legislação que permita o controle
de população e o aborto
| Programas |
Doador |
Valor US$ |
Planejamento familiar e a Assembléia Constituinte Brasileira.
Monitorar e onde necessário dar assistência ao desenvolvimento do tema planejamento
familiar no texto da constituição brasileira
|
THE PATHFINDER FUND |
112.755 |
| Programa de informação e de educação para políticos
do Hemisfério Ocidental (1994) |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
354.000 |
| Promover o papel parlamentar na América Latina e no
Caribe em Questões ICPD(1994) e promover políticas de população |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
119.000 |
| Programa de informação e educação para políticos do
Hemisfério Ocidental (1994) inclusive acesso ao planejamento familiar, à
saúde materno infantil e cessão de poder à mulher |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
109.000 |
| Programa de informação e educação para políticos do
Hemisfério Ocidental – Implementação da Conferência do Cairo Executor Grupo
Interparlamentar de População e Desenvolvimento. Orçamento para 1996 |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
199.000 |
| Promover o papel dos parlamentares nos assuntos da
Conferência do Cairo. O principal objetivo do projeto é promover coerência
entre políticas de população e desenvolvimento sustentável, fortalecer a
colaboração entre parlamentares do Hemisfério Ocidental e criar interesse
para os assuntos de direitos reprodutivos da mulher e meio-ambiente. Executor
Grupo Parlamentar Inrter-americano de População e Desenvolvimento. Orçamento
para 1994-96 |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
118.000 |
| Apoio a um programa dirigido a formadores de política
e ao público em geral - Entidade executora CFÊMEA(*) (1994-1996) |
FUNDAÇÃO MAC ARTHUR |
300.000 |
| Sistema de informação para o Congresso. O projeto torna
disponível recentes informações sobre iniciativas legais de textos de propostas
legislativas, votação, perfil de parlamentares. Executor CFÊMEA (1996) |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
140.000 |
| Para monitoração política e programa de educação pública
sobre direitos da mulher. Entidade Executora: CFÊMEA (1994) |
FUNDAÇÃO FORD |
50.000 |
| Programa de informação, educação e comunicação para
políticos (1994/1995. Entidade Executora: Centro Feminista de Pesquisa e
Informação |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
109.000 |
| Apoio ao movimento de direito reprodutivo e saúde das
mulheres para defender uma política de mudança com ênfase sobre a lei do
aborto, prática e qualidade de cuidados de saúde reprodutiva no Brasil,
Chile, Peru e na Grande Região (1995/1996) |
GENERAL SERVICE FOUNDATION |
35.000 |
| Sistema de informação para o Congresso. O projeto torna
disponível informações atualizadas sobre iniciativas legais de textos de
proposições legislativas, votação, perfil de parlamentares e outras informações
como instrumento para promover mobilização social para assuntos de igualdade
e equidade de gênero. Duração do projeto: 1995-97 |
FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU - FNUAP |
210.000 |
| Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA) monitoração
e educação política dos direitos das mulheres. Duração: 1994-98 |
Fundação Ford |
323.000 |
| Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA).
Treinamento e coordenação entre ONGs de mulheres da Argentina Brasil, Chile,
Colômbia, México, Peru e América Central 1996-98. |
Fundação Ford |
62.000 |
Nos anos recentes, especialmente desde que a USAID retirou seu apoio, FPIA
ampliou seu campo de ação procurando trabalhar com grupos e pessoas
em projetos relacionados ao aborto. Doações foram feitas para
agências no Zaire, Congo, Kênia, Irlanda, Austrália, Bangladesh,
México, Brasil, Peru, Equador, Bolívia e Nicarágua para
estabelecer serviços de aborto seguro, fornecendo referência e
aconselhamento sobre aborto, defendendo "direitos reprodutivos", e
legalmente contestando leis restritivas ao aborto.
Fontes:
Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World (1991/93/95).
Publicação do Fundo de População da ONU (FNUAP)
FPIA - Family Planning International Assistance, website: http://www.ppfa.org/ppfa/fpia_what_done.html
(*) CFÊMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria. Entidade feminista que
faz "lobby" pró-aborto no Congresso Nacional
PROJETOS DA FUNDAÇÃO McARTHUR PARA O BRASIL 2000
| Executor |
Projeto |
Apoio |
Débora Diniz RodriguesBrasília – DF
debdiniz@zaz.com.br |
Bioética, Direitos Sexuais e Reprodutivos: uma inserção
do tema no Congresso Nacional Brasileiro |
US$ 18,000 em 1 ano |
CFEMEA - Centro Feminista de Estudos e Assessoria
Brasília – DF
www.cfemea.org.br
cfemea@cfemea.org.br |
Direitos da Mulher na Lei e na Vida
|
US$ 210,000 em 3 anos |
Fundação Carlos Chagas - São Paulo - SP
www.fcc.org.br
fcc@fcc.org.br |
Programa de bolsas individuais para projetos relativos
a Direitos Reprodutivos visando aperfeiçoar a capacidade de liderança para
intervenção na esfera pública, em parceria com SOS Corpo. |
US$ 720,000 em 4 anos |
IPAS - International Projects Assistance Services
- Rio de Janeiro - RJ
www.ipas.org |
Programa de treinamento para profissionais de saúde
aborto seguro |
US$ 210,000 em 3 anos |
Fonte: Fundação MacArthur macfound@macfound.org.br
Além
desses recursos outros são alocados à nível global para os Grupos Parlamentares
nos diversos países onde existe um Legislativo. Na América Latina há o GPI -
Grupo Parlamentar Interamericano que é constituído pelos Grupos Parlamentares
de Estudo de População e Desenvolvimento – GPEPD dos países da região.
Foram alocados aos GPEPDs entre outros os seguintes recursos:
| Programa |
Órgão Executor |
Orçamento UNFPA |
| Programa Informativo e Educacional para políticos
do Hemisfério Ocidental (1994). |
Grupo Parlamentar Inter-Americano Sobre População
e Desenvolvimento |
até 1995: USD$183.000 |
| O objetivo do projeto é o de aumentar a
compreensão dos parlamentares sobre as questões apresentadas na ICPD de
1994, a fim de ajudá-los a representar um papel pró-ativo nas atividades
preparatórias, e realçar a participação parlamentar na Conferência e aumentar
o conhecimento dos jornalistas sobre a ICPD. |
| Promover o papel Parlamentar da América Latina e
do Caribe em Questões ICPD (1994). |
Grupo Parlamentar Interamericano Sobre População |
USD$119.000. |
| Os objetivos principais do projeto são
os de melhorar a qualidade de vida no Hemisfério Ocidental, promovendo políticas
populacionais e sustentáveis coerentes, para fortalecer colaboração entre
parlamentares do Hemisfério Ocidental, e despertar conscientização sobre
a necessidade de alcançar um equilíbrio entre a utilização de recursos e
a proteção do meio ambiente. |
| Programa informativo e educacional para políticos
no Hemisfério Ocidental (1994). |
Grupo Parlamentar Interamericano Sobre População e
Desenvolvimento (GPI). |
USD$109.300 |
| O objetivo do projeto é o de encorajar
a promulgação e a implementação da legislação nacional adequada para população
e o desenvolvimento, inclusive o acesso ao planejamento familiar, à saúde
maternal e infantil, cessão de poder à mulher, e a proteção das crianças
e do meio ambiente. |
Além
desses recursos existem os chamados “Projetos Guarda-Chuva” com centenas de
milhares de dólares para atender a vários programas não especificados ou para
reforçar o orçamento de projetos cujos recursos demonstraram ser insuficientes.
O
CFÊMEA exerce um forte lobby no Congresso Nacional no sentido de apresentar
projetos, coloca-los em pauta de votação, realiza seminários, workshops, encontros
etc, além de assessorar parlamentares na elaboração de projetos, apresentação
de emendas e pronunciamentos. Além do CFÊMEA outras organizações feministas
trabalham para a modificação da legislação brasileira no sentido de atender
às propostas dos grupos de controle de população.
Com
todos esses recursos e programas alguns objetivos já foram conseguidos e outros
estão a caminho como veremos mais adiante.
Conseguiram incluir planejamento da Constituição
Federal embora esse assunto não seja matéria constitucional. O Art. 226 da
C. F. estabelece:
“§
7° - Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável,
o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar
recursos educacionais e científicos par o exercício desse direito, vedada qualquer
forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas”
Observe-se
que o texto constitucional guarda coerência com o proposto no Relatório Kissinger:
a)
o direito de cada casal determinar livremente e de maneira
responsável o número e o espaçamento de seus filhos e o direito de eles terem
informações, educação e meios para realizar isso;
Também
já conseguiram a aprovar a lei sobre planejamento familiar (Lei n° 9.263/96
) incluindo a esterilização como um de seus métodos.
Outras
providências para ajustar a legislação do país às diretrizes do Relatório Kissinger
encontram-se em andamento no Congresso Nacional. Vejamos abaixo que partidos
políticos estão empenhados nesse propósito.
2.
Ação Parlamentar
O
trabalho parlamentar é essencialmente: apresentar proposições (projetos, emendas
etc); discutir e votar projetos de lei; fazer pronunciamentos; discutir e aprovar
protocolos internacionais. Esse trabalho deve refletir a vontade dos que elegeram
os deputados e senadores, isto é, do programa político do partido ou plataforma
apresentada por ocasião das eleições.
O trabalho parlamentar é exercido essencialmente
nas Comissões Técnicas (Família e Seguridade Social, Constituição e Justiça,
Educação etc) e no Plenário. Os projetos de lei são encaminhados inicialmente
para as Comissões Técnicas e depois de discutidos e votados nessas comissões
são encaminhados ao Plenário. Os projetos discutidos e aprovados na Câmara são
enviados ao Senado para discussão e aprovação pelas suas comissões técnicas
e pelo Plenário e vice-versa, isto é, os iniciados no Senado são aí discutidos
e aprovados e posteriormente enviados à Câmara. Caso haja modificação em uma
das Casas do Congresso Nacional o projeto e enviado à Casa onde teve origem,
para nova discussão e votação.
O
trabalho do lobby é feito individualmente com o parlamentar e principalmente
nas comissões técnicas e no plenário. Embora esse trabalho não seja regulamentado
no Brasil pessoas e grupos mantêm-se nas dependências do Congresso Nacional
procurando influenciar as decisões dos parlamentares e a votação dos projetos
de lei. Torna-se, assim, uma atividade aceita por todos.
Para
uma análise do trabalho parlamentar no que se refere ao aborto, esterilização
e planejamento familiar vejamos os projetos de lei atualmente em tramitação
no Congresso Nacional, quem os apresenta e como são votados.
Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional de interesse da vida e da
família
Obs: Os projetos estão relacionados na ordem de apresentação.
Atualizada até 20.08.2001
| Ano |
PL No. |
Autor |
Part./UF |
Ementa |
Última Ação |
Obs. |
| 2001 |
PL 04917 |
Deputado Givaldo Carimbão |
PSB/AL |
Inclui inciso no artigo primeiro da lei 8072, de 25
de julho de 1990, tipificando como hediondo o crime de aborto e altera os
artigos 124, 125 e 126 do código penal brasileiro, e dá outras providências. |
Mesa Diretora |
Obs. Aguardando despacho para as Comissões Técnicas |
| 1999 |
PL 00947 |
Deputado Severino Cavalcanti |
PPB/PE |
Institui o Dia do Nascituro em 25 de março |
Comissão de Seguridade Social e Família - CSSF |
Parecer favorável da Relatora Ângela Guadagin |
| 1999 |
PL 00605 |
Deputado Professor Luizinho |
PT/SP |
Dispõe sobre a obrigatoriedade dos
servidores das delegacias de polícia a informarem às vítimas de estupro
sobre o direito de aborto legal. |
Aprovado na CD e encaminhado ao SF
(CAS) |
Relator Senador Sebastião Rocha PDT/AP |
| 1999 |
PL 00066 |
Deputada Iara Bernardi |
PT/SP |
Dispõe sobre a criação de programa
de orientação sexual de prevenção da DST/AIDS e do uso abusivo de drogas
e da outras providências. |
Aprovado pelas Comissões da CD. |
|
| 1999 |
PL 00343 |
Deputado Chico Da Princesa |
PSDB/PR |
Institui a semana de prevenção do aborto e dá outras
providências. |
Comissão de Seguridade Social e Família em 30.11.99.
|
Relatora: Dep. Rose de Freitas22.03.01 |
| 1999 |
PEC 00067 |
Deputado Marcos Rolim e outros |
PT/RS |
Altera os artigos 3o e
7o da Constituição Federal incluindo a expressão "orientação
sexual". |
Aprovado pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Redação, em 13.06.00. |
Relator: Dep. Waldir Pires |
| 1999 |
PLS 90/99 |
Senador Lúcio Alcântara |
PSDB/CE |
Dispõe sobre a fecundação artificial |
Comissão de Assunto Sociais - SF |
Relator: Sen. Tião Viana PT/AC |
| 1998 |
PL 04703 |
Deputado Francisco Silva |
Sec. Estado PPB/RJ |
Acrescenta o inciso VIII e o parágrafo 1o
ao art. 1o da Lei no 8.072 de 25 de julho de 1990,
a prática do aborto como crime hediondo. |
Anexado ao PL 1135/91 em 10/09/1998. |
|
| 1998 |
PDL 00737 |
Deputado Severino Cavalcanti |
PPB/PE |
Susta norma técnica expedida pelo Ministério da Saúde |
Mesa Diretora |
Recurso do Dep. Nelson Trad |
| 1997 |
PL 02929 |
Deputado Wigberto Tartuce |
PTB/DF |
Permite às mulheres estupradas por
parentes a interrupção da gravidez. |
Anexado ao PL 1135/91 em 22/04/1997. |
|
| 1997 |
PL 02855 |
Deputado Confúcio Moura |
PMDB/RO |
Dispõe sobre a utilização de técnicas
de reprodução humana assistida e da outras providências. |
Despachado para a CCJR e CFSSF em
10.04.01. |
Novo despacho |
| 1997 |
PL 2811 |
Deputado Salvador Zimbaldi |
PSDB/SP |
Proíbe experiências e clonagem de animais e seres humanos |
Com. de Ciência Tecnologia e Informática |
Em 07.05.97 |
| 1997 |
PL 2822 |
Deputado Severino Cavalcanti |
PPB/PE |
Define como ação criminosa a utilização de qualquer
técnica destinada a reproduzir o mesmo biotipo humano |
Anexado ao PL 2811/97 |
|
| 1996 |
PEC 00424 |
Deputado Serafim Venzon e outros |
PDT/SC |
Acrescenta incisos VIII e IX ao artigo
208 da CF (Incluindo dentre os deveres do Estado com a educação, a garantia
do ensino da disciplina: Educação Sexual e DSTs, AIDS no currículo escolar
do ensino fundamental, na rede pública e particular de educação, em todo
o país, alterando a nova CF. |
Desarquivado Mesa Diretora em
11.03.1999 |
|
| 1996 |
PL 01956 |
Deputada Marta Suplicy |
PT/SP |
Autoriza a interrupção da gravidez
quando o produto da concepção não apresenta condições de sobrevida em decorrência
de malformação incompatível com a vida ou de doença degenerativa incurável. |
Anexado ao PL 1135/91 em 05/11/1996. |
|
| 1995 |
PL 00176 |
Deputado José Genoíno |
PT/SP |
Dispõe sobre a opção da interrupção
da gravidez. |
Anexado ao PL 1135/91 em 27/03/1999. |
|
| 1995 |
PL 1151 |
Deputada Marta Suplicy |
PT/SP |
Disciplina a união civil de pessoas
do mesmo sexo |
Na pauta do Plenário da Câmara
dos DeputadosOrdem do dia: 28.05.01 |
|
| 1993 |
PL 03638 |
Deputado Luiz Moreira |
PFL/BA |
Institui normas para a utilização
de técnicas de reprodução assistida (Incluindo as questões relativas a fertilização
in vitro inseminação artificial e barriga de aluguel - gestação de substituição
ou doação temporária do útero. |
Comissão de Constituição e justiça
e redação em 14.09.99 - Relator: Dep. Marcelo Deda |
|
| 1992 |
PL 03280 |
Deputado Luiz Moreira |
PFL/BA |
Autoriza a interrupção da gravidez
até a vigésima Quarta semana nos casos previstos na presente lei (Quando
o feto for portador de graves e irreversíveis anomalias físicas ou mentais
e precedida de indicação médica). |
Anexado ao PL 1135/91 em 03.04.95. |
|
| 1991 |
PL 00020 |
Deputado Eduardo Jorge e Sandra
Starling |
PT/SP(PT/MG) |
Dispõe sobre a obrigatoriedade de
atendimento dos casos de aborto previsto no código penal, pelo SUS. |
Retirado de pauta em 06/12/1997. |
Retirada de pauta Vide N.T do MS |
| 1991 |
PL 01135 |
Deputado Eduardo Jorge |
PT/SP |
Suprime o artigo 124 do código penal
brasileiro o qual caracteriza crime o aborto provocado pela gestante ou
com seu consentimento. |
Em tramitação naComissão de SeguridadeSocial
e Família –05/05/1999 |
Relatora Deputada Jandira Feghali
– PCdoB/RJ |
| 1991 |
PL 01174 |
Deputado Eduardo Jorge e Sandra
Starling |
PT/SP(PT/MG) |
Dispõe sobre autorização do aborto
quando a gravidez representar riscos de vida e saúde física ou psíquica
da gestante; se constatada no nascituro enfermidade grave e hereditária
ou de gravidez resultante de estupro. |
Anexado ao PL 1135/1991 em 22.08.1999 |
|
| 1991 |
PL 02023 |
Deputado Eduardo Jorge |
PT/SP |
Permite a prática do aborto, nos
termos do artigo 128, inciso I, do código penal, em caso se comprove que
a mulher esta contaminada pelo vírus HIV. |
Retirado pelo autor em 30/06/1999. |
|
PL = Projeto de Lei da Câmara -
PLS = Projeto de Lei do Senado
CCJR/CD = Comissão de Constituição e Justiça e Redação da Câmara dos
Deputados
CSSF/CD = Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara
dos Deputados
Fonte: Secretaria das Comissões Técnicas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal
Vejamos a que partidos pertencem os parlamentares que apresentaram tais
projetos:
| Natureza do Projeto |
PT |
PTB |
PFL |
PMDB |
PSDB |
PPB |
PDT |
PSB |
TOTAL |
| Aborto |
7 |
1 |
1 |
|
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|
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|
9 |
| Disciplina a união civil de pessoas do mesmo sexo
|
1 |
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1 |
| orientação e educação sexual |
2 |
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|
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1 |
|
3 |
| Reprodução assistida |
|
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1 |
1 |
1 |
|
|
|
3 |
Projetos de defesa da vida
(dia do nascituro, proíbe clonagem, revogação da NT do MS, aborto crime
hediondo) |
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|
2 |
4 |
|
1 |
7 |
Observe-se que dos 9 projetos de aborto, o PT apresentou
7 e dos demais projetos de interesse dos grupos de controle de população (educação
e orientação sexual) o PT apresentou 2 enquanto o PDT apresentou 1. E o único
projeto de União Civil de pessoas do mesmo sexo foi apresentado pelo PT.
Se observarmos a votação desses projetos nas comissões técnicas veremos
que os integrantes do PT votam fechados pela aprovação dos projetos antivida.
O mesmo se passa com os demais partidos de esquerda (PcdoB, PCB (hojePPS) e
Partido Verde).
Enquanto isso esses partidos não apresentaram um único projeto em defesa
da vida e da família e votam sistematicamente contra a aprovação desses projetos
apresentados por parlamentares de outros partidos.
Acredita-se que muitos dos parlamentares desconhecem o Relatório Kissinger
e esses projetos são sugeridos por grupos lobbistas. Alguns, de boa fé, apresentam
projetos de educação sexual e orientação sexual, mas desconhecem o conteúdo
desses programas sugeridos por grupos antivida e antifamília. Atendem, assim,
as sugestões de grupos feministas apoiados com recursos de fundações e instituições
internacionais.
- Intransigência
dos Partidos de Esquerda
Um partido político que se preza tem um programa, é estruturado
e seus membros seguem a orientação do partido. Nas democracias os partidos funcionam
todo o tempo e não somente nas vésperas de eleições. O funcionamento dos partidos
entre uma eleição e outra tem o objetivo de formar seus quadros e a juventude
que um dia venha a participar do partido. Além disso, divulga o partido seu
programa para que os eleitores possam escolher votar neste partido. Esse princípio
exige a fidelidade partidária. Divulgado o programa, o parlamentar eleito deverá
seguir o programa do partido sob pena de exclusão. E o cidadão vota no partido
porque sabe qual seu programa e como exercerá o mandato o candidato eleito.
Assim funciona uma verdadeira democracia. A troca de partidos e a ‘banca de
negociações” para cooptar o parlamentar eleito não só enfraquece a democracia
como é ocasião de corrupção.
No Brasil um dos poucos partidos que se aproxima do ideal partidário é
o Partido dos Trabalhadores, o PT. Partido organizado, seus membros não ‘pulam’
de partidos e seguem rigorosamente a orientação partidária de acordo com seus
líderes. Esta coerência é observada mesmo quando o parlamentar tem opinião pessoal
contrária à de seus líderes. Sem nenhuma dúvida é um ponto forte desse partido.
Embora não esteja explícito no programa do partido a luta pela legalização
do aborto, da união civil entre pessoas do mesmo sexo, da esterilização e do
uso de contraceptivos, seus lideres interpretam os ‘direitos do cidadão’, os
‘direitos da mulher’ e da liberdade individual como uma das metas do partido.
Pelo menos o direito à livre "orientação sexual"
é explicitamente defendido pelo PT:
“O PT defende intransigentemente o respeito aos Direitos Humanos
para garantir a extensão da cidadania a todos os brasileiros.
Isso exige combater preconceitos relacionados
com raça, gênero, orientação sexual, faixa etária, condição física ou
mental” (Resoluções do II Congresso Nacional do Partido dos
Trabalhadores, Belo Horizonte
(MG), 24 a 28 de novembro de 1999, n.º 25)
“Defesa dos Direitos Humanos com combate a todas as formas
de discriminação e preconceitos relacionados à raça, gênero, orientação sexual,
faixa etária e condição física ou mental, bem como todas as formas de violência.
Estabelecimento de políticas públicas que promovam condições reais de igualdade”
(idem, n.º 54).
“É necessário reforçar essas estruturas setoriais
temáticas de militância e ampliar para outros setores como: jornalistas, professores
universitários, homossexuais e artistas, para só citar algumas das dezenas
de afinidades que podem constituir-se em novos espaços de militância. Essa estrutura
não concorre mas complementa a atual” (idem, n.º 67).
Por isso o PT não admite que seus integrantes votem contra a orientação
de seus líderes. As concessões são feitas desde que o voto do parlamentar não
altere o resultado final decidido pelas lideranças do partido.
Vejamos alguns fatos.
a)Em Goiânia ,em 1997
havia um clima político favorável à revogação de uma lei municipal que favorecia
o aborto .(lei 7488/95) O primeiro vereador que se apresentou para revogá-la
era do PT (Djalma Cotinguiba Araújo) mas recebeu uma pressão tão violenta
de seus correligionários, que RETIROU O PROJETO DE PAUTA. Aquilo a que um
político mais aspira (a popularidade) foi sacrificada em favor da pressão
do Partido. O projeto para revogar a tal lei coube a um outro vereador (do
PMDB, Iram Saraiva Júnior, autor do PL 96/97) que conseguiu sua aprovação
facilmente.
b) Em 1996 tramitava na Comissão de Constituição e Justiça
da Câmara dos Deputados o PL 20/91 que, a título de regulamentar os abortos
nos casos de estupro e risco de vida da mãe, abria a possibilidade de aborto
em qualquer situação a pedido da gestante. Nos casos de estupro o aborto seria
realizado mediante uma simples declaração da mulher de que fora estuprada
e que seu filho era fruto de estupro. Designado relator, o deputado Hélio
Bicudo, PT/SP, apresentou um substitutivo pelo qual o Estado assumiria as
crianças geradas de um estupro. Hélio Bicudo foi substituído na relatoria
pela deputada Zulaiê Cobra. Quando da votação (20.08.1997) Hélio Bicudo, presente
na decisiva sessão que aprovaria o PL 20/91 na Comissão de Constituição, Justiça
e Redação, fez um grande discurso em defesa da vida. No entanto, na hora da
votação, quando seu nome foi chamado para votação nominal, não estava presente.
Era membro substituto daquela Comissão e os titulares estavam presentes. Entretanto,
ausentando-se o membro permanente foi chamado um outro deputado do PT (no
caso Marta Suplicy), também suplente, para votar. Como a votação empatou (23
x 23 votos) a Relatora deputada Zulaiê Cobra, do PSDB, desempatou pela aprovação
do projeto. Teria o deputado Hélio Bicudo se ausentado porque era suplente
e os titulares estavam presentes, ou foi “aconselhado “ a se ausentar para
que outro seu companheiro de partido, favorável ao aborto, desse seu voto
a favor do projeto? Por que o deputado Helio Bicudo foi substituído pela Deputada
Zulaiê Cobra, na Relatoria do PL 20/91? Fica a interrogação.
Para melhor entendermos o que se passou, vejamos como funciona uma
comissão técnica (na Câmara ou no Senado). A composição da comissão é feita
por partidos. Cada partido indica seus membros e igual número de suplentes
(parlamentares do mesmo partido). Quando da apreciação de um projeto, votam
os membros permanentes do partido. Na ausência do membro permanente, é chamado
o suplente do mesmo partido. No caso em estudo, os membros permanentes estavam
presentes; então os substitutos não votariam. Até o momento do discurso contrário
ao projeto, feito pelo deputado Hélio Bicudo, os membros permanentes do PT
estavam presentes. Depois do discurso, veio a votação. Nesse momento o deputado
Hélio Bicudo se ausentou. O mesmo aconteceu com um outro membro (que possivelmente
votaria contra ao projeto). Foi chamado a votar um suplente que empatou a
votação. Fica no ar a pergunta: teria o deputado Hélio Bicudo se ausentado
porque imaginou que, como suplente, não teria chance de dar seu voto? Por
que não ficou para ver o resultado da votação já que fez um pronunciamento
contrário à aprovação? Porque em vez de colocar um suplente favorável ao aborto
(ou fiel ao partido) não foi chamado o deputado Hélio Bicudo? Seria tudo isso
uma manobra das lideranças?
c)No Senado, o projeto de lei que quer obrigar os delegados
de polícia a informar às vítimas de estupro onde podem conseguir o ‘aborto
legal’ (Projeto de Lei da Câmara n.º 18/2001) deveria ser relatado na Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) pela senadora Marina Silva, do PT do Acre. No entanto,
como esta senadora é contra o aborto - e isso feria os interesses do Partido
- ela renunciou à relatoria. Foi indicada para relatar o projeto uma sua correligionária,
deputada Heloísa Helena (PT/AL). Também esta, depois de sofrer muita pressão,
desistiu da relatoria, que passou a ser ocupada pelo senador Sebastião Rocha
(PDT/AP). O projeto, então, aguarda parecer e votação. Ninguém queria ser
relator do Projeto, que no Senado, estava sofrendo críticas de toda a parte
do Brasil. Convém lembrar que a situação dos senadores petistas não é nada
cômoda.
d)O PT deixa que seus membros votem contra o aborto,
mas com uma condição: que não atrapalhem a aprovação do projeto. Permitir
que um petista fosse relator de um projeto e emitisse um parecer contra o
aborto seria permitir algo que iria influenciar decisivamente na derrota do
projeto. É exatamente isso que está acontecendo com o Projeto de Lei 947/99,
que estabelece o dia 25 de março como o “Dia do nascituro” de autoria do Deputado
Severino Cavalcanti, PPB/PE
Esse projeto está na Comissão de Seguridade Social e Família, da
Câmara dos Deputados e pretende instituir o Dia do Nascituro, a ser festejado
no dia 25 de março de cada ano. A relatora na referida comissão é a deputada
Ângela Guadagnin (PT/SP). Como integrante do Movimento Pró-Vida, em sua diocese
(São José dos Campos - SP), esta deputada se manifestou favorável, em seu
relatório, à aprovação do projeto. O projeto entrou em pauta várias vezes
mas a deputada Ângela Guadagnin não compareceu à sessão para apresentar seu
relatório. Enquanto isso, a deputada Ana Corso (PT/RS) pediu vistas do projeto
na última reunião e deverá apresentará voto em separado manifestando-se contrária
à proposta. Que teria havido? Por que a deputada Ângela Guadagnin, católica
e defensora da vida, não apresentou seu parecer favorável à aprovação do
projeto, apesar de ter tido a oportunidade de fazê-lo em mais de uma reunião
da Comissão? Agora com um voto contrário de uma correligionária fala-se que
o projeto entrará em votação. Afinal, de fevereiro ate junho (mês do recesso)
houve bastante tempo para que a relatora apresentasse seu parecer.
Nenhum membro do PT até hoje (em qualquer nível: federal,
estadual ou municipal!) ousou apresentar um projeto de lei que proíba o aborto
ou que desestimule sua prática. Nenhum parlamentar desse partido apresentou
projeto para fortalecimento da família. Pelo contrário, a então deputada Marta
Suplicy apresentou um projeto de “casamento gay". Acontece em raras ocasiões
um voto favorável à vida dado por um parlamentar do PT, mas desde que seu
voto não interfira no resultado esperado pela sua liderança.
O que ocorre como PT também ocorre com os demais partidos de esquerda.
Em verdade o PCB (atual PPS), PCdoB. e Partido Verde votam com o PT. Seus
integrantes são favoráveis a legalização do aborto.
4 – Conclusão
Coincidentemente ou não,
os partidos de esquerda seguem as diretrizes traçadas pelo Relatório Kissinger.
As centenas de dólares investidos no lobby para mudança da legislação brasileira
apesar de não ter conseguido até agora a legalização do aborto, não foram
de todo perdidos. Afinal já conseguiram legalizar a esterilização e os métodos
contraceptivos, muitos deles abortivos. Não se pode afirmar que alguns parlamentares
dos partidos de esquerda estejam obtendo vantagens com suas atitudes antivida.
Seria leviano uma afirmação nesse sentido. No entanto, não é leviano afirmar
que há dentro do Congresso um grupo de parlamentares (cuja existência
é demonstrada em documentos oficiais da ONU), chamado GPEPD (Grupo Parlamentar
de Estudos de População e Desenvolvimento) que recebe apoio do Exterior para
legislar contra o Brasil, em matéria de controle demográfico. Quem serão seus
integrantes? Serão os membros dos partido de esquerda, que, por coincidência
ou não, defendem propostas idênticas às do Relatório Kissinger? Ou serão outros?
Só uma CPI, com quebra de sigilo bancário, poderia sequenciar os recursos
destinados ao "lobby" no Congresso Nacional e ao GPEPD e tirar conclusões.
Abortistas nós encontramos em todos os partidos, de direita
ou de esquerda. A diferença é que enquanto os outros partidos de direita
têm abortistas, os partidos de esquerda são abortistas.
É possível pertencer a um partido qualquer e, simultaneamente lutar até as
últimas conseqüências pela aprovação de um projeto contra o aborto. No entanto,
isso é totalmente impossível nos partidos de esquerda, que sobrepõem suas
diretrizes inclusive à consciência de seus membros. É possível que isso aconteça
porque os partidos de direita não têm uma estrutura partidária rígida e disciplinada
como os partidos de esquerda.
Os fatos acima demonstram que o PT, como os demais partidos
de esquerda, estão empenhados na alteração da legislação brasileira para legalização
do aborto e demais procedimentos de que trata o Relatório Kissinger.
Para que o cidadão possa exercer bem sua cidadania, dando
seu voto nas próximas eleições a candidatos que realmente defendem nossos
interesses, necessário de faz chegar essas informações a todo o País.
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